sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PAUL BERNARDO E KARLA HOMOLKA, O "CASAL LETAL"

Karla Homolka e Paul Bernardo
   (foto na mesa: Tammy Homolka - irmã de Karla)       



HISTÓRIA

Paul Bernardo nasceu em 27 de agosto de 1964, numa família de classe média que morava no bairro de Scarborough, em Toronto. Tinha dois irmãos mais velhos e um pai violento, que suspeitava abusar sexualmente da própria filha. Sua mãe, vitimada por uma severa depressão, abandonou a família para viver isolada no porão da casa.
Foi só na adolescência que Paul descobriu ser filho ilegítimo do pai, resultado de um caso amoroso da mãe com um antigo namorado. O efeito da revelação foi devastador para o jovem que, até então, parecia ser o modelo do bom menino. Passou a odiar a mãe, que entendia ser uma vagabunda por trair o pai. Já odiava o pai, que considerava um pervertido sexual.
Saiu do escotismo, que era seu hobby, para juntar-se aos bad boys da vizinhança, rapazes do tipo machões e infratores. Passou a detestar mulheres, que tratava com desprezo e enganação. Vivia em bares, que frequentava todas as noites, e começou a desenvolver obscuras fantasias sexuais na mesma época em que começou a cursar a Universidade de Toronto. Sua preferência agora era por mulheres submissas e por sexo anal forçado; humilhava suas parceiras publicamente e as espancava em particular. Parecia se vingar de todo sexo feminino em cada mulher com quem se envolvia.
Como não encontrava emprego em que ganhasse o suficiente para manter seus caros prazeres, começou a contrabandear cigarros pela fronteira do Canadá com os Estados Unidos.
Quando se formou foi contratado pela Price Waterhouse como contador júnior e vivia uma época sem namoradas, pois elas estavam cansadas de serem amarradas e espancadas. Em outubro de 1987, encontrou a garota de seus sonhos, Karla Homolka.

Karla Homolka nasceu em 4 de maio de 1970 em Port Credit, subúrbio de Toronto. Tinha duas irmãs mais novas, Lori e Tammy. Era assistente de veterinária, boa aluna, e seus planos consistiam em casar-se com um jovem rico. Ficou completamente apaixonada por Paul Bernardo quando o conheceu e com quem passou a ter um relacionamento de verdadeira obsessão.
Todos notaram a mudança de comportamento da jovem depois do começo do namoro. Ela agora era extremamente submissa aos desejos do parceiro , que mantinha controle absoluto sobre o que ela dizia, vestia ou ouvia. Karla até mesmo desistiu de fazer faculdade, pois pretendia se casar e ter filhos.





Em 1990, depois de ficarem noivos, os pais de Karla propuseram que Bernardo se mudasse para a casa deles, realizando o maior sonho de sua filha: ver o noivo mais que duas vezes por semana, visto que ele morava longe. Paul, sem perda de tempo, foi viver na casa da família Homolka.
Karla, então com 17 anos, encorajava o comportamento sádico de Paul, então com 23 anos, chegando ao ponto de ficar feliz com a revelação de que ele cometia estrupos ocasionais. Tudo o que a moça almejava era fazer o namorado “feliz”, e não teve problemas em acompanhá-lo nos crimes sexuais que ele cometia.
As coisas se complicaram quando o mais novo objeto de desejo de Paul passou a ser a irmã caçula de Karla, a menina Tammy. Os dois estavam cada vez mais unidos, Paul e Tammy, para desespero de Karla. Parcialmente excluída, ela ficou feliz ao concordar com a fantasia de Paul: promover seu encontro com a irmã mais nova, sem que ela soubesse ou consentisse, para que ele lhe “tirasse a virgindade”. Seria seu presente de casamento para o marido.


O PRIMEIRO CRIME

Decidiram usar halotano (substância química utilizada em anestesias locais, através de aspiração. Este anestésico é duas vezes mais forte que clorofórmio e quatro vezes mais forte que éter.), anestésico inalado por animais antes de cirurgias. Como seu trabalho a fazia ter conhecimentos básicos sobre sedativos utilizados em animais, além de ter total acesso a eles na clinica veterinária na qual era empregada, foi fácil conseguir o necessário para dopar Tammy. O difícil era estabelecer a dose exata a ser utilizada para a irmã não reagisse ao estupro.
O plano era que Karla colocasse o anestésico numa roupa e a segurasse sobre a face da irmã, mas acompanharia seus sinais respiratórios. Era realmente o plano para um “estupro assistido”.
No natal daquele ano, Paul filmou com sua câmera o jantar de Natal da família Homolka. Deu a Tammy vários aperitivos com o sedativo diluído neles. Os efeitos da droga e doa álcool foram rápidos: ela logo estava adormecida no sofá. Quando os outros familiares foram se deitar, Karla e Paul começaram a “trabalhar” Tammy.
A ação foi filmada durante todo o tempo em que a menina foi estuprada via vaginal e anal. Enquanto Karla segurava o anestésico sobre a face da irmã, Paul ordenava que ela também fizesse carinhos sexuais nela. De repente Tammy vomitou. Karla achou que sabia o que fazer e levantou a irmã de cabeça para baixo, tentando limpar assim sua garganta. Tammy entrou em choque. Assustados com o imprevisto e sem sucesso nas tentativas de ressucitação de Tammy, eles a vestiram, esconderam as drogas e a câmera e chamaram uma ambulância. Os pais só souberam que havia algo errado quando a sirene chegou a sua porta e cinicamente foram levados a acreditar que a filha morreu de um choque acidental, causado por seu próprio vômito.
Paul acabou acusando Karla pela morte da irmã. Agora a menina não estava mias disponível para ele, e necessitava que a namorada fizesse uma reposição, alguém bem jovem e virgem. A procura por novos “presentes” daria início à carreira de homicídios do casal.

Foto de Tammy Homolka tirada após sua morte no Hospital Geral
Santa Catharina, na manhã de 25 de dezembro de 1990.
Os legistas acharam que a morte foi acidental e fecharam o
caso 3 meses depois.


OUTROS CRIMES 

Em 14 de junho de 1991, Leslie Mahaffy, 14 anos, desapareceu. Quinze dias depois um casal de pescadores encontrou o corpo da garota no lago Gibson, quando uma represa foi aberta e baixou o nível da água naquele local em três ou quatro metros. Perto do limite da água, eles repararam num bloco quebrado de concreto, e dentro de um pequeno reservatório criado pelo próprio bloco sobre uma laje, encontraram pernas. A polícia foi chamada, e nas buscas subsequentes foram encontrados cinco blocos de concreto envolvendo as partes de um corpo na área rasa do lago. Quem quer que tenha feito o serviço, não estava familiarizado com a área. Do contrário, teria jogado os blocos de concreto com o corpo por sobre a ponte, onde as águas eram mais profundas, desse modo encobrindo os restos mortais para sempre.
As primeiras partes do corpo da vítima a serem encontradas foram suas pernas e pés. Depois, seu torso e braços, todos cortados com uma potente serra, noutro ponto do lago. Os característicos suspensórios, “marca registrada” de Leslie, possibilitaram sua identificação antes que sua cabeça fosse localizada e a arcada dentária identificada positivamente.
Em julho, Rachel Ferron, de 21 anos, estava a caminho de casa, dirigindo pelas desertas ruas de St.Catharines, às 2h da madrugada. Ultrapassou um Nissan esporte dourado, que ia em direção contrária. Com espanto, pelo espelho retrovisor, observou o carro fazer meia volta e começar a segui-la. Ao virar na rua de sua casa, o carro seguiu em frente. Rachel ficou aliviada; poderia ter sido apenas impressão. Uma semana depois, o Nissan reapareceu. Desta vez, Rachel ia para a casa do namorado, que não estava. Seguiu para a locadora de vídeos onde ele trabalhava. Ao chegar, tomou nota da descrição do carro e da placa: 660 HFH. Na mesma noite, quando Rachel voltou à casa do namorado, o Nissan dourado ainda a estava seguindo. Ela permaneceu no automóvel, com as portas travadas e as janelas fechadas, até que seu namorado chegasse em casa. Assim que chegou, imediatamente percebeu um estranho espreitando o carro de Rachel atrás de uns arbustos e resolveu ir até ele para questioná-lo, mas o homem fugiu. Desta vez, Rachel não ficou calada. O casal parou uma radiopatrulha e informou o policial sobre o acontecido, entregando a placa do veículo que a tinha seguido. Ele levantou os dados no computador rapidamente. O carro estava registrado no nome de Paul Kenneth Bernardo, um Nissan 240SX. A polícia não deu muita atenção ao caso. Estavam ocupadíssimos com a investigação do assassinato de Leslie Mahaffy.
Em 30 de novembro, a garota Terri Anderson, 14 anos, desapareceu. Ela saiu de casa para andar três quarteirões até a escola onde estudava e nunca mais foi vista.
Em 29 de março de 1992, por volta da meia-noite, Lori Lazurak e Tania Berges estavam sentadas numa cafeteria quando se viram sendo filmadas por uma pessoa que dirigia um carro esporte dourado e passava por elas repetidas vezes. Um mês depois, em 18 de abril, Lazurak estava dirigindo pela rua Martindale, em St. Catherines, quando viu o carro suspeito novamente. Resolveu segui-lo, e antes de perdê-lo de vista anotou a placa: 660 HFH. Reportou os estranhos fatos à polícia, mas o caso não foi levado adiante. Estavam outra vez envolvidos numa investigação muito mais séria: o desaparecimento de Kristen French, em 16 de abril, uma garota muito popular que tinha sido raptada do estacionamento de uma igreja luterana, ao lado da escola em que Terri Anderson estudava. Somente os sapatos da menina foram encontrados, abandonados no estacionamento.
Em 30 de abril, o corpo de Kristen foi encontrado numa vala. Estava nua, mas não desmembrada como Leslie, o que levou os investigadores a acreditar que os dois assassinatos de adolescentes não estavam interligados. O cabelo de Kristen tinha sido tosado, num claro sinal de degradação e subjugação da vítima.
Em 23 de maio, o corpo de Terri Anderson foi encontrado dentro d’água em Port Dalhousie, seis meses após seu desaparecimento. O legista não verificou nada estranho na necropsia daquele corpo que estivera mergulhado por tanto tempo. A causa da morte foi declarada oficialmente como afogamento, em consequência da combinação de cerveja e LSD. A mãe da menina negou veementemente a possibilidade de a filha ter consumido álcool e drogas, que a teriam feito entrar nas águas geladas do lago em pleno inverno canadense.
Os crimes tinham acontecido na região de St. Catharines, e as investigações eram da alçada da polícia de Niagara Falls. Depois da morte de Kristen French, o governo de Ontário montou uma força tarefa, com direito a linha direta e base de operações. Especialistas forenses e o FBI se uniram para descobrir o assassino.
Nas entrevistas sobre o desaparecimento de Kristen, uma mulher testemunhou ter visto uma luta dentro de um carro, no estacionamento da igreja luterana. Não muito familiarizada com marcas de veículos, a senhora achou que fosse um Camaro ou Firebird, cor creme. O detetive Vince Bevan, responsável pelas investigações, concentrou-se em levantar dados sobre todos os Camaros da região.

Retrato falado de Paul

Neste meio tempo, o nome de Paul Bernardo apareceu outra vez nas investigações e dois policiais foram até a casa dele para entrevistá-lo. Ele foi extremamente simpático. Disse que tinha sido suspeito no caso do Estuprador de Scarborough devido à sua semelhança física com o retrato falado. A polícia notou que aquele homem tinha muito boa aparência, era inteligente e cooperativo, além do fato de sua casa ser limpa e organizada. Também notaram que seu carro era um Nissan, que não se parecia em nada com um Camaro, na cabeça daqueles investigadores, diferente do que a testemunha havia achado. Mesmo assim resolveram fazer um trabalho completo e contataram Steve Irwin, em Toronto, para saber dos resultados das investigações do caso do Estuprador de Scarborough. Oito dias depois, o detetive Irwin respondeu a mensagem: os testes finais das amostras de sangue e saliva de Paul Bernardo não haviam sido feitos; tecnicamente ele ainda era um suspeito. Irwin mandou para a força tarefa algumas informações sobre o caso, mas negligenciou as entrevistas com amigos de Paul e o caso Jennifer Galligan. Não foi desta vez ainda que Bernardo seria suspeito dos homicídios que estavam acontecendo em Ontário.
Se tivessem se aprofundado nas investigações, descobririam fatos no mínimo interessantes. Dos 16 ataques do Estuprador de Scarborough, oito tinham sido brutais. Todos ocorreram entre maio de 1987 e maio de 1990, nas proximidades do Metro Toronto, onde Bernardo morou com a esposa até abril de 1991. Neste mês o casal mudou-se para Port Dalhousie, em St. Catharines, onde os crimes de homicídio aconteceram.

Vítimas


FECHANDO O CERCO - A PRISÃO DO CASAL

Em janeiro de 1993, Karla Homolka, esposa de Paul Bernardo, procurou abrigo na casa de uma amiga depois que seu marido a espancou. Como o marido desta amiga era policial em Toronto, informou a polícia de Niagara, que levou Karla para o hospital imediatamente. Em fevereiro, as investigações se intensificaram. As polícias de Toronto e Ontário quiseram entrevistar Karla, tiraram suas impressões digitais e a questionaram sobre seu relógio de pulso com o personagem Mickey Mouse, muito similar ao relógio desaparecido de Kristen French.
Foi também nesse mês, depois de tomar conhecimento do espancamento de Karla, que o detetive Irwin pediu que o laboratório forense examinasse as amostras de sangue, saliva e sêmen de Paul Bernardo. Os testes foram conclusivos combinavam 100% com aquelas recolhidas das três vítimas do Estuprador de Scarborough. Paul Bernardo foi imediatamente colocado sob vigilância.
Depois de ser interrogada por quase cinco horas, Karla percebeu que a polícia já tinha somado dois com dois e ligado o caso do Estuprador de Scarborough com os assassinatos em St. Catherines. Ela estava apavorada e contou a um tio, disposto a ajudar, que o marido era um estuprador e que tinha assassinado Kristen French e Leslie Mahaffy.
Um advogado foi contratado, George Walker, que, percebendo o envolvimento de sua cliente até o pescoço nos homicídios, adotou a estratégia de barganhar algum tipo de imunidade para ela em troca de total cooperação com a polícia.
No meio do mês de fevereiro, Paul Bernardo foi preso pelos estupros em Scaborough e pelos assassinatos de Mahaffy e French. Enquanto isso, Karla se afundava no consumo abusivo de analgésicos e álcool. No dia 19 desse mesmo mês, a polícia executou o mandado de busca na casa do casal, onde várias evidências foram encontradas. Paul tinha escrito um diário onde contava detalhes de cada estupro que cometera, além de possuir uma coleção de livros e vídeos sobre desvios sexuais, pornografia e serial killers. A polícia também encontrou um vídeo caseiro, onde Karla aparecia em relações lésbicas com outras duas mulheres.
Uma semana depois, o advogado George Walker tentou um acordo para sua cliente: ela pegaria doze anos de prisão por cada uma das duas vítimas, com as sentenças cumpridas simultaneamente. Estaria elegível para livramento condicional em três anos, por bom comportamento. Ninguém questionou, pois seu testemunho contra Paul Bernardo era importantíssimo. Os advogados ainda conseguiram acordar que Karla não cumprisse sua pena numa prisão comum, e sim em um hospital psiquiátrico. Em troca, contaria toda a verdade sobre seu envolvimento nos crimes e tudo o que sabia sobre eles.
Em março, Karla foi internada em um hospital para ser devidamente tratada e medicada. Dali escreveu uma importante carta para seus pais, em que confessava o assassinato de sua irmã pelas próprias mãos, numa brincadeira macabra do casal. Tammy Homolka tinha sido a primeira vítima de homicídio do casal letal.


PROVAS E JULGAMENTOS

Tanto Leslie Mahaffy quanto Kristen French passaram por cativeiro e tortura sexual antes de morrer. Todas as ações foram filmadas por Paul Bernardo, com participação ativa de Karla Homolka. Eles seguiam um elaborado roteiro, como se fosse mesmo uma produção cinematográfica pornográfica.
Fitas de vídeo foram encontradas pela polícia, mas aquelas em que os crimes de homicídio estariam registrados desapareceram ou nunca existiram. Quatro policiais vasculharam minuciosamente a casa de Bernardo e Homolka. Quebraram o chão de concreto, removeram painéis, checaram o esgoto, os dutos e móveis fixos, cortaram carpetes, roupas, vasculharam cartas, e nada. Sem as fitas, Karla Homolka era a única arma apontada contra Paul Bernardo.
Outras evidências encontradas na casa não foram aceitas como provas: uma cópia do controverso livro de Bret Easton Ellis, Psicopata Americano, que narra a história de um loiro, narcisista, homem de negócios de 20 e poucos anos, que rapta, tortura e estupra jovens meninas; o livro Perfect Victim, a verdadeira história de um homem na Califórnia que raptou uma moça de 20 anos, a brutalizou e a manteve como sua escrava sexual por sete anos; uma fita de rap de autoria de Bernardo, chamada Inocência Mortal, na qual as letras são lúgubres lembranças de seus crimes.
O julgamento de Karla Homolka foi um circo para a mídia. Ela foi descrita como impassível. Seu psicólogo, dr. Malcom, concluiu seu depoimento dizendo que Karla sabia o que estava acontecendo, mas se achava impotente e incapaz de se defender. Em sua opinião, a ré estava paralisada pelo medo, permanecendo obediente e subserviente ao marido, que a espancava.
As fitas de vídeo não foram divulgadas no julgamento, eram provas contra Paul Bernardo.


O juiz aceitou o acordo proposto pelos advogados de Karla. Seu depoimento seria decisivo para o julgamento de Paul Bernardo. Ela foi condenada a doze anos de prisão por cada uma das duas vítimas, com as sentenças cumpridas simultaneamente. Pelo acordo ela teve imunidade no que se referiu ao assassinato de Tammy Homolka.
Em fevereiro de 1994, Paul Bernardo e Karla Homolka se divorciaram. Ela cumpria pena na prisão para mulheres de Kingston, e dois meses após ser levada para lá começou a fazer cursos por correspondência de sociologia e psicologia na Universidade de Queens. Sua cela era decorada com pôsteres do Mickey e seus lençóis desenhados com motivos da Vila Sésamo. Em junho de 1995, foi transferida para a Metro West Detection Centre, em Toronto.
O julgamento de Paul Bernardo aconteceu dois anos depois de sua prisão. Um dos motivos para a demora foi que ele colocu seu adovgado Ken Murray numa situação ética muito complicada. Três meses após sua prisão e seis dias após terminarem as buscas por evidências na casa do casal, seu advogado teve permissão para entrar no local dos crimes por breves momentos. Recebeu então uma ligação em seu celular: era Paul Bernardo, dizendo a ele onde encontrar as fitas de vídeo, escondidas no forro do teto da casa. Paul deu ao advogado as fitas que ele e Karla fizeram de suas aventuras, acreditando que, ao fazer isso, elas jamais chegariam às mãos dos promotores.
Eles já sabiam, por intermédio de Karla, da existência das fitas, e tinham gravado as conversas entre Paul e seu advogado. Depois de muita pressão, Murray entregou as provas para a promotoria e abandonou o caso. Foi substituído pelo veterano John Rosen.
As fitas de vídeo se tornaram a principal peça da promotoria. Bernardo enfrentava duas acusações de homicídio em primeiro grau, duas acusações de ataque sexual com agravante, duas acusações de confinamento forçado, duas acusações de sequestro e uma acusação de causar constrangimento para um corpo humano.
A promotoria começou seu “show” mostrando a imagem de Karla se masturbando para a câmera, o que causou grande comoção nos presentes. O vídeo mostrava como Paul forçava Karla a fazer as coisas contra sua vontade, a ser uma escrava sexual do “Rei Bernardo”. Sim, ela chamava o marido de rei. Depois de todas as fitas exibidas, o júri tinha uma completa ideia da profundidade da depravação sexual de Paul Bernardo.
Como se já não fosse o suficiente, Karla foi chamada como testemunha. Seu depoimento mostrou a escalada de indignidades a que o marido obrigava a esposa. Ela usava uma coleira de cachorro, ele inseria garrafas em sua vagina e quase a estrangulava com uma corda para satisfazer suas sádicas fantasias sexuais.
Karla também declarou que Paul cortou o corpo de Leslie Mahaffy em dez partes, utilizando para isso a serra elétrica de seu avô, e encapsulou as partes em concreto no porão da casa deles. Ela ajudou Paul a jogar os blocos no rio, mas apanhou por ter esquecido de usar luvas. Depois da morte de Mahaffy, segundo o depoimento de Karla, ela era espancada constantemente e ameaçada de morte a cada vez que hesitava em colaborar.
Paul alegou que suas fantasias eram importantes para ele, e que nunca machucaram ninguém.


A defesa resolveu atacar a credibilidade de Karla. Queria mostrar que ela não era nenhuma vítima, e sim cúmplice ativa nos estupros e homicídios. Paul contou sobre a frieza da esposa, que, logo após o estrangulamento de Kristen, correu para secar os cabelos porque tinham um jantar na casa dos Homolka. Ficou claro para todos que Karla havia manipulado as circunstâncias de sua cooperação num dos piores acordos que o governo canadense já fez com uma testemunha criminal.
As fitas de vídeo foram vistas apenas pela corte e pelo júri, em sessão secreta. Público e mídia puderam somente ouvi-las. Durante o ataque a Tammy Homolka, Karla filmou enquanto Paul a violentava via vaginal e anal, e depois o rapaz ordenava que Karla fizesse sexo oral com a irmã. Depois de vários “nãos”, a garota cedeu a vontade do parceiro. Após a morte de Tammy, o júri pode ainda ver as cenas filmadas no quarto da falecida, quando Karla fingiu ser a irmã e o casal manteve relações sexuais entre as bonecas da vítima.
Karla também foi vista comentando que adorou ver Tammy ser estuprada, dizendo que sua missão era fazer Bernardo se sentir bem. Ela se ofereceu como provedora de novas virgens.
Todos assistiram às cenas do casal espancando e estuprando Mahaffy e French. Enquanto um agia, o outro filmava e “dirigia” a cena. Numa delas, bastante perturbadora, Kristen French foi obrigada a repetir 26 vezes que amava Paul, com a voz bastante tremula e sob ameaças constantes, enquanto era estuprada por ele. Algum tempo depois foi terrivelmente surrada e ao fundo ouviam-se seus gritos de que morreria logo se o prazer de Bernardo não aumentasse rápido.
A defesa de Paul Bernardo deveria ter formado um time com a promotoria no julgamento de Karla Homolka; com certeza estas informações teriam feito diferença. Agora eles estavam acabando com a credibilidade dela, mas não estavam sendo eficientes em diminuir a culpa dele. Por ironia, era a promotoria que agora a defendia, descrevendo-a como mulher frágil e torturada, espancada e obrigada a cometer crimes.
Nas imagens vistas pela corte, Karla Homolka deu várias ordens a Kristen French, mandando que ela sorrisse enquanto estava sendo estuprada e ensinando à garota o que fazer para aumentar o prazer do marido, além de atacar sexualmente a vítima com uma garrafa de vinho. Nada nas imagens vistas indicou qualquer desprazer de Karla ao agir em dupla com seu parceiro, ou que sentisse qualquer repulsa pelo que fazia. Ela também teve várias chances de cair fora, mas não usou nenhuma. Durante as duas semanas em que Leslie Mahaffy ficou cativa na casa do casal, saiu todos os dias para trabalhar e em pelo menos duas ocasiões ficou de guarda com a garota, enquanto Bernardo saiu para alugar fitas de vídeo ou comprar comida.
No julgamento de Bernardo, ele era considerado culpado até que provasse sua inocência. Com sua parceira nos crimes, a concepção era exatamente a oposta: inocente até que sua culpa fosse comprovada. O acordo com Karla Homolka foi feito antes que a justiça soubesse das fitas de vídeo ou tivesse acesso a eles, o que justificava a moça ser considerada testemunha-chave para a acusação de Paul Bernardo. Enquanto a defesa tentava mostrar Homolka como cúmplice ativa para diminuir a culpa de Bernardo, a promotoria tratou de mostrá-la como uma mulher fraca, sofrendo da Síndrome da Mulher Espancada.
Muitos acreditam que no caso de Karla Homolka a síndrome não se aplica. Defendem a ideia de que ela é uma mulher muito egoísta, que só buscou ajuda quando sua própria vida estava ameaçada.
A sentença de Homolka foi bastante discutida durante o julgamento de Bernardo, por meio da imprensa e de entrevistas com advogados e psicólogos. Muitos disseram que a justiça do Canadá vendeu sua alma ao diabo para conseguir condenar um assassino.
Numa avaliação psicológica de Paul Bernardo feita através dos depoimentos de Karla, o psicólogo dr. Chris Hatcher e seu colega dr. Stephen Hucker identificaram o réu em relação ao seu comportamento como parafílico (desvios sexuais), sádico sexual, voyeur, hebéfilo (ter atração por meninas púberes ou adolescentes), toucherismo (agarrador de mulheres insuspeitas), coprofílico (excitável por fezes), alcoólatra e com distúrbio de personalidade narcisista. Nenhum deles achou que Paul Bernardo fosse psicótico.
Paul se defendeu em seu depoimento, dizendo que fazer sexo com garotas amarradas e algemadas era sua ideia de vídeo pornográfico, mas que não matou ninguém. Disse que as vítimas morreram durante o espaço de tempo que as deixou sozinhas com Karla.
Mahaffy teria morrido de overdose de drogas. Bernardo pretendia jogá-la em algum lugar ermo, desacordada. Quando viu que a menina estava morta, resolveu esconder seu corpo. Segundo seu depoimento e contradizendo Karla, enquanto ele cortava o corpo em partes, a esposa limpava e lavava cada uma delas para que pudessem “concreta-las”.
No caso da morte de French, Bernardo alegou ter deixado a jovem com os pés amarrados e as mãos algemadas, sob a guarda de Karla, enquanto foi alugar fitas de vídeo e comprar comida. Por segurança, teria amarrado um fio elétrico ao pescoço da garota, atando a outra ponta a uma cômoda. Enquanto estava fora, French pediu para ir ao banheiro. Quando Karla desamarrou seus pés, ela saiu correndo para tentar escapar, enforcando-se.
Em nenhum momento de seu depoimento Bernardo perdeu a calma ou a compostura. A alegação da defesa era de que não restavam dúvidas de que o casal tinha atacado sexualmente as jovens, mas precisava ser estabelecido quem, de fato, as tinha matado. Nada disso salvou Bernardo. Em 1º de setembro de 1995, Paul foi considerado culpado por todas as acusações contra ele. Faltava ainda ser julgado pelo assassinato de Tammy Homolka e todos os estupros de Scarborough.
Segundo as leis canadenses, Bernardo pode apelar para obter liberdade condicional depois de vinte e cinco anos de prisão. Sua apelação imediata, feita após o julgamento, foi negada em 21/09/2000.
O advogado Ken Murray foi julgado, em 2000, por obstrução da justiça. Ele manteve em segredo estar de posse das fitas de vídeo que retirou da casa de Bernardo, onde o casal assassino aparecia tendo relações sexuais e torturando Leslie Mahaffy e Kristen French. Murray alegou que pretendia usá-las na defesa de seu cliente, nas audiências preliminares. Deixaria que Karla Homolka mentisse sobre seu envolvimento nos crimes e depois a desmascararia com as fitas, destruindo sua credibilidade e demonstrando que ela era a verdadeira assassina e Paul, seu coadjuvante.
Quando as preliminares foram canceladas e resolveu-se ir direto ao julgamento, Paul Bernardo começou a pressionar Murray para que não utilizasse essas provas, as mantivesse em segredo, coisa entre advogado e cliente. Paul alegava que, sem elas, seria a palavra dele contra a de Homolka.
Murray ficou num dilema ético, mas decidiu deixar o caso e entregar as provas à justiça, com um atraso de dezessete meses. A justiça alegou que, se estivesse em posse das fitas, não teria tido necessidade de entrar em acordo com Karla Homolka. Ken Murray foi absolvido em 13/06/2000.


RESULTADOS

A casa de Karla Homolka e Paul Bernardo foi demolida, pois o proprietário não conseguiu nunca mais alugá-la. Outra casa foi construída no terreno.
Os pais de Kristen French, Doug e Donna, ainda vivem em St. Catherines. Donna trabalha com a polícia da região de Niagara, falando sobre o impacto do crime nas famílias de vítimas em geral.
Os pais de Leslie Mahaffy, Dan e Debbie tiveram seu casamento destruído durante o processo. O estresse foi crucial. Debbie organiza anualmente um dia em memória das vítimas de crime em Burlington e trabalha no Programa para Vítimas de Crimes da promotoria.
Em 8 de março de 2001, o Conselho Nacional de Condicional do Canadá resolveu, em Ottawa, não dar liberdade condicional para Karla Homolka, que mudou seu nome para Karla Teale. Concluíram que, se solta, poderia ainda cometer crime causando morte ou sério mal a outra pessoa. Recomendaram que Karla Teale permanecesse em reclusão até o fim de sua sentença, em julho de 2005.
Nessa data então, sem mais recursos legais que permitissem a continuidade de sua reclusão, Karla Homolka, agora Teale, foi libertada depois de ter cumprido integralmente sua pena. Algumas condições foram exigidas para que a sua soltura fosse concretizada, como não casar com criminosos e jamais ficar em posição de autoridade ante crianças menores de 16 anos.
Em 2006, Karla, agora Leanne Teale e casada com Thierry Bordelais, tornou-se mãe de um menino. Vive em Quebec, no Canadá.


Filme baseado na história: "Karla"


Fonte: Serial killers: louco ou cruel?, de Ilana Casoy
           Murderpedia.org
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

MARCELO COSTA DE ANDRADE, O "VAMPIRO DE NITERÓI"




Marcelo Costa de Andrade, vulgo "Vampiro de Niterói", foi um serial killer brasileiro, acusado de ter matado cerca de catorze meninos nas redondezas de Itaboraí, cerca de 30 quilômetros de Niterói, no Rio de Janeiro, no ano de 1991.


INFÂNCIA PROBLEMÁTICA

Marcelo viveu parte da sua infância na Rocinha, uma favela do Rio de Janeiro. Vivia num lar desestruturado, e sua mãe, uma empregada doméstica, apanhava constantemente do marido. Foi mandado por um período para a casa dos avós, no Ceará, local onde disse que apanhava muito. Tempos depois foi mandado de volta para o Rio de Janeiro, onde constantemente era vítima de maus-tratos pelos novos companheiros dos pais, que haviam se separado. Foi nesse período que foi abusado sexualmente por um homem mais velho.


ADOLESCÊNCIA CONTURBADA 

Foi então internado em um colégio para meninos, mas não tinha bom desempenho nas aulas. Lá era hostilizado pelos colegas e chamado de retardado. Aos catorze anos, foi mandado embora do internato, pois a instituição só acolhia jovens de 6 a 14 anos.

Assim que saiu do internato, passou a se prostituir. Segundo Marcelo, sempre era passivo durante seus programas, mas certa vez um homem mais velho o teria obrigado a ser ativo, o que o perturbou muito. Nessa época ele tentou cometer suicídio. Tempos depois ele foi enviado para a FUNABEM, mas meses depois fugiu e voltou a se prostituir, sendo que aos dezesseis anos foi morar com outro homossexual, Antônio Batista Freire, que começou a sustentá-lo e o apresentou à Igreja Universal do Reino de Deus. Mesmo com o sustento do companheiro, Marcelo continuava a se prostituir, até que se separou do porteiro e voltou para a casa da família.

A partir daí, largou a prostituição e começou a trabalhar formalmente, ajudando a família nas contas e nos afazeres domésticos.

Marcelo frequentava os cultos há cerca de dez anos na época, além de assistir às celebrações pela TV diariamente. Segundo ele, foi num desses cultos que ouviu que quando as crianças morrem elas vão para o Céu. Segundo a lógica do assassino, ele não matava adultos, pois poderia os estar mandando para o inferno.

Quando não estava lendo as pregações do bispo Edir Macedo, estava lendo revistas pornográficas. Gostava de ouvir músicas da Xuxa e de outros ídolos infantis da época. A mãe de Marcelo conta que ele tinha o estranho hábito de ficar ouvindo uma fita gravada de quando o irmão mais novo estava chorando.


A DESCOBERTA

No dia 16 de dezembro de 1991, Altair Medeiros de Abreu, de 10 anos, teria saído com seu irmão, Ivan Medeiros de Abreu, até a casa de um vizinho, que lhe havia prometido oferecer um almoço. Na época o pré-adolescente morava numa zona de pobreza do bairro do bairro Santa Isabel, em São Gonçalo, município vizinho de Niterói. Os dois eram filhos de Zélia de Abreu, empregada doméstica que possuía mais cinco filhos.

Quando os dois garotos passavam pela estação central de Niterói, os dois foram abordados por Marcelo, que, segundo Altair, teria lhe oferecido cerca de quatro mil cruzeiros para que os dois o ajudassem a realizar um ritual religioso católico. Os três pegaram um ônibus e foram parar numa praia deserta, nos arredores do Viaduto do Barreto. Nesse momento, Marcelo tentou beijar o garoto mais velho, que fugiu assustado, mas sendo capturado em seguida e derrubado no chão; atordoado, ele viu seu irmão Ivan ser abusado sexualmente por Marcelo, que após o ato, o enforcou, avisando Altair que seu irmão estava dormindo.

Assustado, Altair passou a fazer tudo o que Marcelo queria, sendo depois levado pelo assassino até um posto de gasolina onde se limpou sobre os olhos atentos de Marcelo. Os dois dormiram em um matagal, e na manhã seguinte partiram para o Rio de Janeiro. Segundo consta, durante o trajeto, Marcelo teria se oferecido para morar com Altair, que teria concordado imediatamente. Nos depoimentos após o crime, Marcelo disse que teve piedade do garoto, pois ele teria sido "bonzinho" e prometido ficar com ele. Na época, Marcelo trabalhava como distribuidor de panfletos, e teria que aparecer no trabalho para buscar seus papéis. Assim que se distraiu, Altair aproveitou e fugiu do assassino.

Quando chegou em casa, por carona, Altair não revelou que seu irmão havia sido morto, só revelando o crime para uma das irmãs mais velhas dias depois. Marcelo não teria tentado procurar Altair nem tentado esconder o corpo, voltado no local do crime tempos depois para modificar a posição do corpo, corpo esse que foi encontrado por policiais horas depois. Segundo consta, as mãos do garoto estavam dentro dos shorts, o que afastou a tese inicial de afogamento, sendo constatado o abuso sexual no IML.

Quando o corpo foi identificado pela mãe de Ivan, Altair levou os policiais até o trabalho de Marcelo, que confessou o crime imediatamente, não demonstrando surpresa.



EM SÉRIE

Na delegacia, Marcelo confirmou ser o autor de mais doze assassinatos. Ele revelou um dos seus primeiros crimes. Segundo o próprio, em junho do ano de 1991, ele havia acabado de descer de um ônibus quando viu o garoto Odair Jose Muniz dos Santos, de onze anos, pedindo esmolas na rua. Marcelo então o convenceu supostamente para ir até a casa de uma tia e pegar cerca de 3000 cruzeiros para dar ao garoto. Mas na verdade Marcelo o atraiu até um campo de futebol e tentou abusar do menino, e como não conseguiu, o enforcou.

"[…] Não reparei se ele estava vivo ou morto quando o estuprei. Não consegui me satisfazer. Apertei sua garganta mais uma vez para garantir que a alma dele fosse para o Céu." 

Logo após, Marcelo foi para casa jantar e voltou mais tarde, onde decapitou o corpo do garoto. Marcelo afirmou que fez isso com o garoto para se vingar do que faziam com ele durante a época que viveu no internato. Seu primeiro crime ocorreu em abril de 1991. Ele estava voltando do trabalho quando viu um garoto vendendo doces na avenida. Inventou a mesma história do dinheiro e do ritual religioso e o levou para um matagal. Tentou fazer sexo com o garoto, mas este resistiu. Marcelo o agrediu com pedras e depois o asfixiou e o estuprou. Segundo ele, foi a partir daí que não conseguiu mais parar de cometer crimes. No seu segundo crime, matou Anderson Gomes Goulart, 11 anos, estraçalhou sua cabeça, bebeu o seu sangue enquanto o estuprava e depois quebrou seu pescoço.


VÍTIMAS - modus operandi. Só matava meninos de 6 à 13 anos, pois, achava que se matasse meninos acima de 13, estes não iriam para o céu...

Em entrevista à equipe de psiquiatras e à Ilana Casoy, Marcelo Costa de Andrade relatou como matou 13 meninos. 

Via de regra, ele os abordava convidando para ajudá-lo a acender velas para São Jorge, oferecendo dinheiro para isso; os meninos, em sua maioria, eram vendedores de doces ou biscoitos pelas ruas, atraídos para locais ermos, alguns foram estuprados antes de serem mortos, outros após; bebeu o sangue de alguns dos meninos e, na maioria das vezes levou algum troféu como recordação - dentes, bermudas, enfim ... também voltou ao local do crime na maioria das vezes, levando mais alguma coisa de alguns e, em uma ocasião, não levou nada porque, ao chegar no local uns 2 meses depois, viu os urubus comendo o corpo do menino (que ainda não tinha sido descoberto), colocou as mãos nos ossos secos do cadáver e disse ter sentido um prazer "sexual" com esse ato...

A partir do quinto menino, Marcelo não voltava mais à cena do crime com medo de ser surpreendido por algum policial... em um dos casos ele voltou com um facão e decepou a cabeça da vítima para se certificar de que o menino estava morto. A todo o tempo, Marcelo demonstra prazer na narrativa, faz questão de contar com riqueza de detalhes os momentos em que ele estuprava os meninos e compreendia perfeitamente que era errado o que fazia, mas o prazer sexual e sádico que sentia era maior...


Assista à série de 4 capítulos da Discovery sobre o caso de Marcelo:

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                                         Discovery - Marcelo Costa de Andrade - parte 1

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Discorevy - Marcelo Costa de Andrade - parte 2

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Discovery - Marcelo Costa de Andrade - parte 3

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Discovery - Marcelo Costa de Andrade - parte 4 


Fonte: Serial Killers, made in Brazil, de Ilana Casoy
           Wordpress.com
           Discovery Brasil.uol

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

TED BUNDY



Theodore Robert Cowell, mais conhecido pelo apelido "Ted" Bundy (24 de novembro de 1946 – 24 de janeiro de 1989), foi um dos mais temíveis assassinos em série da história dos Estados Unidos da América durante a década de 1970.

Nasceu em uma residência para mães solteiras em Vermont, e nunca conheceu seu pai, descrito vagamento por Louise Cowell (sua mãe) com um segurança com quem saiu diversas vezes. A pobreza forçou Louise e seu filho recém-nascido a viverem com seus rigorosos pais metodistas na Filadélfia, onde Ted passou os primeiros quatro anos de sua vida fingindo que Louise era sua imrã. Posteriormente, ele pintaria um quadro ensolarado daqueles anos, declarando amor por seu avô Sam Cowell, mas outros membros da família descreveram Sam como um racista amargo e espancador de mulheres, que também se divertia chutando cachorros e girando gatos no ar, segurando em suas caudas.









                  
Uma manhã, bem cedo, quando tinha apenas 3 anos de idade, a tia de Ted, de 15 anos, acordou e encontrou-o levantando seus cobertores, enfiando facas de açougueiro na cama ao seu lado. “Ele apenas parou ali e sorriu”, disse ela. “Mandei-o sair do quarto, levei os objetos de volta para a cozinha e contei à minha mãe sobre isso. Lembro-me de pensar naquela época que fui a única que achou estranho. Ninguém fez nada”.

Em 1950, Louise e Ted mudaram-se para Tacoma, Washington, onde ela conheceu e se casou com John Bundy, em maio de 1951. Apesar das boas notas na escola, a ficha de Ted estava cheia de observações de seus professores aludindo ao seu temperamento explosivo e imprevisível. Quando terminou a escola secundária, Ted era um masturbador compulsivo e um voyeur espreitando à noite, preso duas vezes pelas autoridades sob a suspeita de arrombamento e roubo de carro.



Em 1970, Ted ganhou uma comenda do Departamento de Polícia de Seattle por perseguir um ladrão de bolsas. Um ano depois, Ted estava inscrito na Universidade de Washington, trabalhando meio período em uma linha direta para suicidas. Atrás da nova face de aparência cívica, entretanto, a fantasias mórbidas de Ted foram crescendo em direção a um ponto de ignição letal.



OS CRIMES

Linda Healey, 21 anos, foi a primeira vítima... ela desapareceu em 31 de janeiro de 1974 de sua residência no porão de Seattle, deixando lençóis ensanguentados e uma camisola manchada de sangue pendurada em seu armário. A várias quadras de distância, a jovem Susan Clarke foi assaltada, agredida com cacetete em sua cama algumas semanas antes, mas sobreviveu aos ferimentos e se recuperou.

A polícia ainda não tinha qualquer vestígio de um padrão, porém:
em 12 de março, Donna Gail Manson, 19 anos, desapareceu a caminho de um concerto em Olympia, Washington;
em 17 de abril, Susan Rancourt, 18 anos, desapareceu em seu caminho para assistir a um filme alemão em Ellensburg;
em 6 de maio, Roberta Parks, 22 anos, não voltou de um passeio tarde da noite na vizinhança de Corvallis;
em 1 de junho, Brenda Ball, 22 anos, deixou a Taverna Flame de Seattle com um homem desconhecido e desapareceu como se fosse no ar;
11 de junho, Georgeann Hawkins, 18 anos, entrou para a lista de mulheres desaparecidas, perdida em algum lugar entre o apartamento de seu namorado e sua casa na irmandade, em Seattle.

Agora, os detetives tinham um padrão: todas as mulheres desaparecidas eram jovens, atraentes, com cabelos escuros na altura dos ombros e repartidos ao meio. Em suas fotos, colocadas lado a lado, elas poderiam ser consideradas irmãs, algumas gêmeas! Os investigadores de homicídios ainda não tinham um corpo, mas recusavam-se a alimentar falsas ilusões de um final feliz para o caso. Havia tantas vítimas e o pior era esperado.


No verão de 14 de julho uma multidão reuniu-se nas areias do lago Sammamish para aproveitar o sol e praticar esportes aquáticos. No final do dia, contabilizou-se o desaparecimento de Janice Ott, 23 anos, e Denise Naslund, 19 anos. Pessoas que passavam pelo local lembraram-se de ter visto Ott conversando com um homem que usava tipoia em um dos braços e escutaram-no apresentar-se como Ted. No decorrer das investigações, a polícia descobriu que outras mulheres foram abordadas pelo mesmo homem. Em cada caso, ele tinha pedido ajuda para prender um barco a vela ao seu carro. As mulheres, com sorte, tinham recusado, mas uma tinha seguido Ted até o local em que seu pequeno Fusca estava estacionado. Embora não tivesse barco, sua explicação era de que o barco teria que ser retirado de uma casa “no alto da montanha”, o que levou algumas das “candidatas” a achar algo estranho.


A polícia, então, publicou algumas referências de Ted com base nos relatos e, um deles referia-se a um estudante de faculdade “Ted Bundy”. No entanto, Bundy era considerado “cidadão-modelo”: estudante de Direito, jovem republicano ativo em políticas de lei e ordem, complementando sua idoneidade com as comendas do Departamento de Polícia que recebera por boas ações.

Em 7 de setembro, caçadores encontraram um túmulo provisório em uma montanha arborizada, a muitos quilômetros do Lago Sammamish. Foram solicitados registros dentários para finalmente identificar os restos de Janice Ott e Denise Naslund; o esqueleto de uma terceira mulher, encontrado com outros, não pode ser identificado.


 Cinco semanas depois, em 12 de outubro, outro caçador encontrou os ossos de mais duas mulheres no Distrito de Clark. Uma vítima foi identificada com Carol Valenzuela, 20 anos, desaparecida havia dois meses, de Vancouver, Washington, na fronteira com Oregon; novamente a segunda vítima permaneceria desconhecida. A polícia estava otimista de que a descoberta das vítimas levaria ao assassino.

O terror chegou a Utah, em 2 de outubro de 1974, quando Nancy Wilcox, 16 anos, desapareceu na cidade de Salt Lak. Em 18 de outubro, Melissa Smith, 17 anos, desapareceu em Midvale; seu corpo, estuprado e espancado seria desenterrado nove dias depois, nas montanhas de Wasatch. Laura Aimeed, 17 anos, entrou para a lista de desaparecidos em Orem, em 31 de outubro, enquanto caminhava para casa, fantasiada para uma festa de Halloween. Um mês depois, seu corpo desfigurado e violado foi descoberto em uma área arborizada fora da cidade. Um homem tentou raptar a atraente Carol Da Ronch, em um shopping da cidade de Salt Lake, em 8 de novembro, mas ela escapou antes que ele pudesse colocar um par de algemas em seus pulsos. Na mesma noite, Debbie Kent, 17 anos, foi raptada de um auditório na escola secundária de Viewpoint, na cidade de Salt Lake.


Num intercâmbio de informações com a polícia de Washington e de outras cidades, a polícia de Salt Lake verificou que um suspeito de Seattle – Ted Bundy – frequentava a faculdade em Utah, quando os desaparecimentos locais ocorreram, mas estavam procurando por um homem louco e não um estudante de Direito sóbrio e bem vestido que tinha conexões políticas. Descartaram Bundy novamente.

No ano seguinte, Colorado entrou para a lista de caça de Bundy:
Caryn Campbell, 23 anos, foi a primeira a desaparecer de um alojamento de esqui em Snowmass, em 12 de janeiro; seu corpo estuprado e quebrado seria encontrado em 17 de fevereiro; 
→ em 15 de março, Julie Cunningham, 26 anos, desapareceu a caminho de uma taverna em Vail;
um mês depois, Melanie Cooley, de 18 anos foi dada como desaparecida enquanto andava de bicicleta em Nederland; seu corpo foi descoberto 8 dias depois com a cabeça esmagada, seu jeans puxados para os tornozelos;
em 1 de julho, Shelly Robertson, 24 anos, desapareceu em Golden; seu corpo foi encontrado em 23 de agosto, descartado em um poço de mina próximo a Berthoud Pass.


Uma semana antes da descoberta repugnante final, Ted foi preso na cidade de Salt Lake por suspeita de arrombamento. Dirigindo a esmo, atraiu a atenção da polícia, e um exame em seu carro revelou itens peculiares, tais como: algemas, um par de meias de náilon com buracos nos olhos; o porta-luvas revelou recibos de postos de gasolina e mapas que ligaram o suspeito a uma lista de resorts de esqui, incluindo Vail e Snowmass.

Carol Da Ronch identificou Ted como o homem que a atacou em novembro, e seu testemunho foi suficiente para indiciá-lo em uma acusação de tentativa de rapto. Em janeiro de 1977 ele foi extraditado para o Colorado para julgamento no homicídio de Caryn Campbell, em Snowmass.

Bundy fugiu em junho de 1977 e foi recapturado após 8 dias. Em 30 de dezembro, ele tentou novamente – e com muito mais sucesso – escapando para Tallahassee, Flórida, onde encontrou alojamento perto da Universidade Estadual da Flórida. Suspeito em uma série de mortes, Bundy assegurou-se de um novo campo de caça.


Nas primeiras horas de 15 de janeiro de 1978, invadiu a casa da irmandade Chi Omega, vestido de preto e armado com uma pesada clava de madeira. Antes de sair, duas mulheres foram estupradas e mortas, e uma terceira, gravemente ferida pelas pancadas desferidas na cabeça. Em uma hora, ele tinha invadido outra casa, a algumas quadras de distância, surrando outra vítima em sua cama, porém, esta sobreviveu também. Haviam marcas de mordidas nos corpos de Lisa Levy, 20 anos, e Margaret Bowman, 21 anos, o que evidenciava o fervor de Bundy no momento de matar.

Em 6 de fevereiro, Ted roubou um furgão e dirigiu para Jacksonville, onde foi percebido quando tentava raptar uma estudante. Três dias depois, Kimberly Leach, 12 anos, desapareceu na vizinhança da área da escola; seu corpo foi encontrado na primeira semana de abril, próximo a Suwanee State Park.


A polícia de Penscola identificou a placa de carro roubado em 15 de fevereiro e foi forçada a persegui-lo quando ele tentou fugir a pé. Após sua recaptura, as impressões dos dentes de Bundy foram tiradas para comparar com as marcas de mordidas nas vítimas da Chi Omega, o que selou seu destino. Indiciado em duas acusações de assassinato em julho de 1979, foi sentenciado à morte na cadeira elétrica, no Estado da Flórida. Um terceiro indiciamento e nova sentença de morte foi subsequentemente obtida no caso de Kimberly Leach.

Demorou quase uma década para que a justiça fosse feita. Ted se defendeu em julgamentos em Utah, Colorado e Flórida enquanto a polícia tentava reunir um rastro de meninas mortas que conduzissem a ele. Durante seus vários julgamentos, um Ted Bundy muito seguro de si se defendeu, recebendo elogios e uma legião de admiradoras. Ainda protelou sua execução com repetidas apelações frívolas que foram até a Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington. Entre manobras legais, passava o tempo em entrevistas para a mídia, pequenas conversas na prisão com o colega sadista Gerard Schaeffer e breves consultas com autoridades de Washington no caso ainda não resolvido do “Assassino de Green River”.

Antes de sua execução, confessou 20 ou 30 assassinatos (os relatórios variam) e, o mais recente admitido foi o de uma pessoa que pedia carona perto de Olympia, Washington, em maio de 1973. Dois anos depois, Bundy disse que matou Lynette Culver, 12 anos, raptada de uma escola de nível médio, em Pocatello, Idaho. Admitiu que tinha "um apetite insaciável por pornografia violenta".


Além desses citados, as autoridades acreditam ser ele o responsável por pelo menos 7 assassinatos cometidos entre 1973 e 1975. As vítimas daqueles casos incluem:
Rita Jolly, 17 anos, do Distrito de Clackamas, Oregon;
Vicki Hollar, 24 anos, de Eugene;
Katherine Devine, 14 anos, de Seattle;
Brenda Backer, 14 anos, Seattle;
Nancy Baird, 21 anos, de Farmington, Utah;
Sandra Weaver, 17 anos, Utah;
e ainda outra vítima de Utah, Sue Curtis, 17 anos.

Alguns acreditam que Bundy possa ter assassinado 100 vítimas ou mais na totalidade, iniciando talvez em sua adolescência, mas a evidência é esparsa ou inexistente. Bundy levou o segredo para o túmulo e ainda foi alvo de uma ironia no dia de sua morte: foi uma mulher quem ligou a chave da cadeira elétrica que pôs fim à sua vida. Para sua última refeição ele pediu bife, ovos, pão e café.

Assista o filme baseado em sua história:



Assista à última entrevista com Ted Bundy:


Fonte: O Aprendiz Verde
           Enciclopédia de Serial Killers, de Michael Newton
           Murderpedia.org