quinta-feira, 31 de outubro de 2013

ADEMAR (ou ADMAR) DE JESUS SILVA, o "Maníaco de Luziânia"



No final de dezembro, uma série de desaparecimentos teve início na cidade de Luziânia, a 56 km de Brasília. Seis garotos com idades entre 13 e 19 anos sumiram sem deixar rastros. A Polícia Civil, em Goiás, chegou a desconfiar que os garotos tivessem fugido ou que teriam sido vítimas de tráfico infantil. Depois de 101 dias, as investigações concluíram que Diego, Paulo, George, Divino, Flávio e Márcio foram alvos de um assassino em série. O criminoso, Admar, foi preso pela polícia e confessou ter abusado e matado os seis meninos.



HISTÓRICO

Nascido em uma família pobre de nove irmãos, baiano de Serra Dourada, cidade de 18 mil habitantes onde o seu pai de os filhos residem, Admar chegou a Luziânia 16 anos antes dos crimes que o tornaram conhecido.

Admar de Jesus, 40 anos, trabalhava como pedreiro. Era descrito pelos vizinhos como um homem discreto e com poucos amigos. Ia todos os finais de semana para a Igreja Universal do Reino de Deus assistir cultos. Poucos sabiam do seu passado sombrio: a mulher teria se matado com veneno; os filhos do casal acabaram criados pelo avô paterno e, além de terem visto a mãe morrer de forma trágica, viram o pai ser preso por abuso sexual de menores. Só deixou Luziânia, município de 210 mil habitantes, por causa deste crime.

Nesse caso, ofereceu dinheiro para um menino ajudá-lo a descarregar um caminhão. Com uma faca no pescoço, o garoto acabou forçado a manter relações sexuais com ele. “O menino escapou dizendo que traria um coleguinha, mas chamou a polícia. Quando os policiais chegaram ao local, Admar já estava abusando de outro garoto. Isso prova que ele tem alto poder de convencimento”, disse o delegado Wesley Almeida, da Polícia Federal.

Após ganhar a liberdade condicional, retornou para Luziânia, adquirindo hábito que não levantavam qualquer suspeita; porém, uma semana depois, voltou a utilizar o mesmo artifício para atrair suas vítimas, mas, agora, as matava sem piedade.


Laudo psiquiátrico divulgado pela polícia revela que o pedreiro é um psicopata com “grave distúrbio” e uma pessoa “perigosa” que deveria ser mantida “isolada do convívio social”.

Quando o laudo foi feito, em agosto de 2009, ele havia cumprido quatro anos de uma condenação de 12 anos – pena que recebera em 2005 por cometer abuso sexual contra dois meninos, de 8 e 11 anos, em Brasília – no presídio da Papuda e, mesmo assim, foi libertado em 23 de dezembro de 2009 porque, segundo avaliação do Juizado de Instrução Penal, já havia cumprido um terço da pena e fazia jus à progressão de regime.

Vítimas


CRONOLOGIA

Estava na primeira semana da liberdade condicional quando começou a atuar, agora, com muito mais crueldade:

em 30 de dezembro de 2009, fez sua primeira vítima, Diego Alves Rodrigues, 13 anos, estudando do 9º ano do ensino fundamental. Estava em uma oficina mecânica com alguns amigos quando disse que ia almoçar em casa. Nunca mais foi visto;


4 de janeiro de 2010 – Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, 16 anos. Ajudava a mãe em um quiosque próximo ao hospital de Luziânia, onde foi visto pela última vez;


10 de janeiro de 2010 – George Rabelo dos Santos, 17 anos. Morador do Parque Estrela Dalva, 8. Ele foi visto pela última vez em uma quadra poliesportiva próximo a sua casa. Naquele dia, tinha intenção de passar o domingo com a namorada;


13 de janeiro de 2010 – Divino Luiz Lopes da Silva, 16 anos. Também morador do Parque Estrela Dalva, zero. Avisou à mãe que iria encontrar os amigos às 10h. Os colegas afirmaram que não chegaram a vê-lo naquela manhã;


18 de janeiro de 2010 – Flávio Augusto dos Santos, 14 anos. Morador do Parque Estrela Dalva, 7 e cursava o 8º ano do ensino fundamental. Saiu de casa pela manhã e disse à mãe que iria à oficina consertar a bicicleta. Nunca mais foi visto.


22 de janeiro de 2010 – Márcio Luiz de Souza Lopes, 19 anos. Ajudante de serralheiro e morador do Parque Estrela Dalva, 4. Conhecia George de vista, pois, as famílias moravam perto. Foi visto pela última vez saindo de casa de bicicleta.


As vítimas tinham em comum o fato de não terem passagem pela polícia e serem todas pobres, moradoras do mesmo bairro, Estrela Dalva, o mais populoso de Luziânia. Admar atraía os meninos com proposta de dinheiro. Os desaparecimentos ocorreram, respectivamente, na quarta, segunda, domingo, quarta, segunda, sexta e domingo, o que levou os policiais a desconfiarem da ação de um assassino em série.


CASO DESVENDADO

A polícia goiana relutou para abrir investigação sobre os sumiços em série de garotos em Luziânia. A delegacia da cidade só começou a dar atenção ao caso após pressões geradas por uma série de reportagens do Correio — o primeiro a denunciar os desaparecimentos, ainda em 16 de janeiro — e o quinto desaparecimento, ocorrido em 20 de janeiro. Insatisfeitas, as mães dos meninos procuraram o Ministério da Justiça, que em 9 de fevereiro mandou a Polícia Federal dar apoio à Polícia Civil de Goiás.

Ao começarem a trabalhar juntos, a Polícia Federal e a Polícia Civil de Goiás recorreram à diligências na cidade goiana e trocas de dados. Buscaram informações sobre os criminosos com histórico de pedofilia do município de cidades vizinhas, até chegar ao pedreiro Admar de Jesus.

O cerco foi fechado após saberem que Admar morava no Parque Estrela Dalva 4, bairro onde residiam 2 dos jovens desaparecidos. O local faz divisa com o Parque Estrela Dalva 8, onde morava outra vítima e, os demais, residiam em setores vizinhos.

Em adiantada decomposição, os corpos foram retirados no final de semana de 12 de abril de 2010, indicados pelo próprio assassino. Verificaram, inicialmente, que os corpos tinham sinais de pauladas e a polícia acreditava que houvesse um ou mais cúmplices nas execuções.

Admar indica a localização dos corpos

No primeiro depoimento informal, Admar não deu detalhes, mas disse ter oferecido R$200 (duzentos reais) a cada um dos jovens em troca de relações sexuais. Alegou ter matado a pauladas, golpes de enxadão e de martelo de pedreiro para não ser denunciado, como ocorreu anteriormente, em Brasília. Quatro dos jovens foram atingidos pelas costas e dois deles atacados pela frente e, embora tenham reagido, não tiveram chance.

Segundo a polícia, como quatro dos seis jovens tinham relacionamento homossexual, prenderam 2 pedófilos que, em princípio, acreditavam ter envolvimento com os desaparecimentos. Permaneceram presos por crimes cometidos em outro município, mas não eram responsáveis pelos sumiços em Luziânia.



Em outro depoimento, no dia 13 de abril de 2010, Admar disse que teve raiva deles; ao tentar matá-los eles reagiram e que os matou à pauladas. Disse se sentir arrependido e afirmou que pensava no sofrimento dos familiares dos jovens mortos, tendo cogitado o suicídio após a repercussão das mortes. Declarou, ainda, que foi vítima de abusos sexuais no passado, e que o pior episódio se deu quando foi assaltado: os ladrões lhe roubaram tudo, o estupraram e lhe cortaram a língua (ele falava com dificuldades) Afirmou que isso o deixou revoltado e com problemas psicológicos: “Não consigo parar de matar, preciso de ajuda para parar com essas coisas”, dizia Admar.

Admar oferecia pequena quantia em dinheiro para que os adolescentes o acompanhassem para realizar um pequeno serviço e, então, a conversa evoluía para o contato sexual. As vítimas eram atraídas para a Fazenda Buracão, que fica às margens da BR-040, a 2 km da entrada de Luziânia/GO. Chegando no local, de alguma forma, o assassino convencia os jovens a descer o vale.

Admar foi encontrado MORTO, no domingo 18 de abril de 2010, em sua cela na Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, em Goiânia – para onde foi levado para sua segurança, pois, a população ameaçava invadir a delegacia de Luziânia para linchá-lo. Ele foi encontrado às 13 horas com uma tira do forro do colchão da cela amarrada ao pescoço, o que indicaria SUICÍDIO.


DO PRIMEIRO CRIME – PRISÃO E LIBERDADE

Admar, condenado em 2005 por abuso sexual de 2 crianças à pena de 15 anos, em um julgamento em segunda instância, diminuiu a pena para 10 anos e 10 meses.

Em exame criminológico realizado em 28 de maio de 2008, quando Admar poderia passar a cumprir pena em regime semiaberto, o laudo de seu exame criminológico apontou a necessidade de que outros dois fossem realizados: um psiquiátrico e um psicológico. Segundo o juiz, o objetivo deste exame não é impedir a progressão de regime, mas conhecer a pessoa e ajudá-la a voltar para a sociedade.

O resultado destacou sinais de psicopatia. Porém, segundo o magistrado, a psicopatia NÃ É UMA DOENÇA MENTAL, mas um distúrbio de personalidade que não é critério impedidor de concessão de progressões – observação: a psicopatia se enquadra na lista da CID-10 e, para quem não sabe o que significa a sigla, “Classificação Internacional de DOENÇAS”... seria ou não “doença mental”??? O termo “doença” não seria um gênero, e o transtorno uma espécie???

Admar foi submetido ao exame psicológico em 11 de maio de 2009, e ao psiquiátrico, uma semana depois, em 18 de maio. Os resultados não apontaram nenhum indício de doença mental, assim como não destacaram a necessidade de acompanhamento psicológico posterior. Segundo o juiz Luiz Carlos de Miranda, o laudo médico atestou coerência de pensamento. Além disso, o acusado teria assumido a prática do crime anterior, assim como afirmou ter conhecimento da gravidade do ocorrido.

Depois da realização dos exames, Admar foi para o regime semiaberto e, por cautela, o judiciário determinou que ele não fosse autorizado a benefícios externos de imediato, o que manteve Admar em situação análoga ao regime fechado. Quando em regime semiaberto, o preso pode trabalhar durante o dia e retornar ao dormitório à noite. O condenado pode, também, passar fins de semana na residência de parentes. Por conta disso, a irmã de Admar foi ouvida e aceitou recebê-lo em sua casa, porém, ela precisou comprovar que os filhos eram maior de idade e não residiam com ela. Após, Admar passou a desfrutar dos benefícios do regime em que se encontrava, chegando a passar cinco fins de semana em casa antes de ser beneficiado com nova progressão.

Além de ter bom comportamento quando preso, atestado por sete relatórios do presídio, Admar estudou um total de 213 horas, o que lhe beneficiou com uma diminuição de 11 dias da pena. Segundo o juiz da VEP, se aplicada a lei friamente, Admar estaria solto desde fevereiro de 2009 beneficiado pelo regime aberto, conforme cálculos realizados pelo Ministério Público, mas como os laudos demoraram a ficar prontos, o benefício só saiu em dezembro de 2009.

Afirmou ainda que, com base no processo, não havia motivos para não conceder o benefício da prisão domiciliar ao pedreiro Admar, e que todo juiz, ao soltar, tem o risco de a pessoa reincidir. Esta decisão (em soltar) não é subjetiva, mas pautada nos parâmetros legais.


PALAVRA DE ESPECIALISTA: Hilda Morana, doutora em psiquiatria forense pela USP e coordenadora do Departamento de Psiquiatria Forense da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

A primeira coisa é saber que o tipo de crime não diz quem é a pessoa. É preciso fazer a análise da personalidade do sujeito quando ele entra no sistema judiciário para saber se ele é um psicopata. Essas pessoas têm um defeito grave de caráter, são incapazes de considerar o outro. Para ter uma ideia, o psicopata tem uma chance de mais de 70% de reincidir em crimes graves e violentos.

O psicopata não tem respeito pelo sentimento do outro, não tem sensibilidade quanto à dor do outro, não se arrepende, não tem remorso nem vergonha do que fez.

É extremamente individualista, com necessidades sexuais intensas, normalmente agressivo e vive para sanar seus prazeres.

Na vida dos psicopatas, não há constância nas relações. Eles não têm amigos e, normalmente, foram crianças e adolescentes com desvio de conduta grave. Contudo, são muito sedutores, capazes de fazer você pensar que conheceu a melhor pessoa do mundo. A característica de um serial killer não é como ele mata, mas sim quem ele mata.”

Pedreiro confessa ter matado seis jovens em Luziânia


Vídeo de reportagem sobre 5 desaparecimentos – Admar ainda não tinha feito a sexta vítima:

Vídeo sobre Admar, procurado anteriormente por outro crime cometido em sua terra natal, Bahia:


Entrevista com o assassino de Luziânia:

Fonte: notícias espalhadas pela mídia virtual.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ALBERT HENRY DESALVO, o "Estrangulador de Boston"



Nascido em Chelsea, Massachusetts, em 1931, Albert foi produto de um lar violento e abusivo. Frank DeSalvo batia em sua esposa e filhos regularmente e foi colocado na prisão em duas ocasiões antes do divórcio que dividiu a família, em 1944.

Esquivando-se de um registro de prisão por arrombamento na adolescência, Albert entrou para o Exército aos 17 anos e serviu na Alemanha. Casou-se com uma alemã e a levou para os Estados Unidos, quando foi transferido de volta.

Levado a Fort Dix, Nova Jersey, DeSalvo foi acusado de molestar uma menina de 9 anos em janeiro de 1955, mas a mãe da criança declinou da acusação escrita e assim ele recebeu uma demissão honrada em 1956. Na mesma época, ele experimentou problemas sexuais com sua esposa, exigindo relações cinco ou seis vezes por dia, repreendendo-a como “frígida” quando ela o recusava. As questões ficaram piores com o nascimento de seu primeiro filho em 1958 e uma nova falta de dinheiro, levando DeSalvo de volta à vida de crimes insignificantes. Preso duas vezes por arrombamento, recebeu a suspensão da sentença e, cada uma das vezes.



Durante o mesmo período, as mulheres de Massachusetts começaram a ser vítimas do “homem das medidas”, um impostor de conversa suave que se fazia de “olheiro” de uma agência de modelos, perambulando de casa em casa em uma procura sem fim por “novos talentos”. Uma vez dentro do apartamento, o homem retirava uma fita métrica e procedia ao registro de “medidas vitais” da moradora, frequentemente acariciando-a intimamente. Algumas reclamaram para a polícia, mas muitas outras não o fizeram, e os detetives observaram que a ausência de qualquer agressão fez com que o caso não fosse uma prioridade.

Em 17 de março de 1960, a polícia de Cambridge prendeu DeSalvo sob suspeita de roubo, e ele rapidamente confessou seu papel como “homem das medidas”. Indiciado por agressão e lesão corporal, conduta lasciva e tentativa de arrombamento, ele foi acusado e sentenciado a dois anos de prisão. Com liberdade condicional após 11 meses, ele foi levado, por frustração sexual, a adotar um papel mais agressivo e mais violento.



Como o “homem verde” (assim chamado pois suas roupas de trabalho eram verdes), DeSalvo lançou uma campanha de agressão sexual de dois anos que fez vítimas em Massachusetts, New Hampshire, Connecticut e Rhode Island. A polícia estimaria, depois, que ele estuprou pelo menos 300 mulheres, enquanto DeSalvo colocava o total máximo de 2 mil. Uma vez ele teve meia dúzia de vítimas em um dia, espalhadas em quatro cidades, com dois dos estupros não relatados antes de sua confissão.

Enquanto a polícia em toda Nova Inglaterra procurava o “homem verde”, os detetives de homicídios de Boston estavam à espreita de um assassino ardiloso, acusado pela morte de 11 mulheres entre junho de 1962 e julho de 1964. em cada caso, as vítimas foram estupradas – algumas vezes com objetos estranhos – e seus corpos deixados nus, como se estivessem posando para uma fotografia pornográfica. A morte acontecia sempre por estrangulamento, embora algumas vezes o assassino também usasse uma faca. A ligadura – uma meia, fronha ou o que quer que fosse – era invariavelmente deixada ao redor do pescoço da vítima, amarrada como um laço ornamental exagerado.







           Vítimas


Anna Slessers, 55 anos, foi a primeira a morrer, estrangulada com o cordão de seu roupão em 14 de junho de 1962. Uma meia de náilon foi usada para matar Nina Nichols, 68 anos, em 30 de junho, e Helen Blake, 65 anos, foi encontrada no mesmo dia com uma meia e um sutiã amarrados ao redor de seu pescoço. Em 19 de agosto, Ida Irga, 75 anos, foi manualmente estrangulada em sua casa, decorada com uma fronha amarrada, e Jane Sullivan, 67 anos, estava morta havia uma semana quando foi encontrada em 20 de agosto, estrangulada com suas próprias meias, mergulhada na borda da banheira com seu rosto submerso.

O assassino pareceu quebrar o padrão em 5 de dezembro de 1962, matando uma mulher negra, de 20 anos, Sophie Clark. Outra mudança foi vista com Patrícia Bissette, 23 anos, estrangulada em sua cama, coberta até o queixo, em vez da disposição gráfica usual. Com Beverly Samans, 23 anos, morta em 6 de maio, o assassino usou uma faca pela primeira vez, apunhalando sua vítima 22 vezes antes de enrolar a tradicional meia ao redor de seu pescoço. Evelyn Corbin, 58 anos, pareceu restaurar o padrão original em 8 de setembro, estrangulada e violada por uma agressão “não natural”, mas o assassino voltou às vítimas jovens em 23 de novembro, estrangulando Joann Graff, 23 anos, deixando marcas de mordida em seu peito. A vítima final, Mary Sullivan, 19 anos, foi encontrada em 4 de janeiro de 1964, estrangulada com um cachecol.



Dez meses depois, em 3 de novembro, DeSalvo foi levado a interrogatório por acusações de estupro, após uma das vítimas do “homem verde” dar uma clara descrição à polícia, lembrando o conhecido “homem das medidas”. A confissão de DeSalvo de uma longa série de estupros levou-o ao Hospital Estadual de Bridgewater, submetido à observação psiquiátrica, e ali foi favorecido por George Nassar, um assassino condenado enfrentando o julgamento por seu segundo roubo-assassinato desde 1948. Suas discussões particulares foram intercaladas com visitas da polícia, levando finalmente à confissão total de DeSalvo dos crimes do “Estrangulador de Boston”.

Em sua confissão, Albert até incluiu duas novas vítimas, anteriormente nunca relacionadas pelas autoridades. Uma, Mary Mullen, 85 anos, foi encontrada morta em sua casa, em 28 de junho de 1962, seu falecimento atribuído a ataque do coração. DeSalvo disse que Mullen teve um colapso quando ele invadiu seu apartamento, então, ele deixou seu corpo no sofá sem continuar a agressão habitual. Mary Brown, 60 anos, foi apunhalada e surrada em sua casa em 9 de março de 1963, novamente sem mostrar o famoso “nó do estrangulador”.

Parecia um caso que seria rapidamente solucionado, mas diversos problemas permaneceram. A única vítima sobrevivente do estrangulador, agredida em fevereiro de 1963, não conseguiu identificar Albert em um grupo, nem as testemunhas aquelas que tinham visto um suspeito próximo às cenas de homicídio de Graff e Sullivan puderam fazê-lo. Diversos detetives concentraram seu objetivo em outro suspeito, apontado como o “psíquico” Peter Hurkos, mas o homem submeteu-se voluntariamente a um asilo logo após seu último assassinato. E, se Albert DeSalvo foi levado por uma fixação materna, os psiquiatras dizem, por que ele escolheu mulheres jovens como cinco de suas últimas sete vítimas?

Alguns estudiosos do caso acreditam que a resposta pode ser encontrada em Bridgewater, onde o assassino George Nassar conversou com DeSalvo por muitos dias e noites. É possível, os críticos mantêm, que Nassar possa ter sido estrangulador, resumindo para Albert os detalhes de seus crimes na esperança de enviar as autoridades para uma procura infrutífera. DeSalvo, já enfrentando numerosos períodos de prisão perpétua por inúmeros estupros, admitiu concluir uma negociação com Nassar, em que este embolsaria parte da recompensa pendente por entregar DeSalvo, depois passando a maior parte do dinheiro para a esposa de DeSalvo. Como um argumento decisivo, a única sobrevivente do estrangulador favoreceu Nassar como suspeito em vez de DeSalvo. Outras teorias postulam a existência de dois estranguladores de Boston, um para as vítimas jovens e outro para as idosas. O jornalista Hank Messick acrescentou uma nova alternativa no início da década de 1970, citando um atirador da máfia – então falecido – com a finalidade de DeSalvo ter sido pago, presumivelmente pelo crime organizado, para “assumir a inclinação” do real e não identificado “Estrangulador de Boston”.


Seja como for, DeSalvo nunca foi a julgamento por homicídio em Boston. O advogado F. Lee Bailey conseguiu negociar um acordo em 1967, em que Albert recebeu uma condenação de prisão perpétua pelos crimes cometidos como o “homem verde”. Nunca foi formalmente acusado dos estrangulamentos de Boston; DeSalvo foi apunhalado até a morte por um recluso na prisão de Walpole, em novembro de 1973.

O corpo de Albert foi exumado no dia 12 de junho de 2013, 
para retirar seu DNA e comparar com sua última vítima, Mary Sullivan.


Documentário sobre Albert em inglês
(pode ser necessário ativar legenda)

Fonte: Enciclopédia de Serial Killers, de Michael Newton.
           O Aprendiz Verde


domingo, 27 de outubro de 2013

VINCE WEIGUANG LI - Paladares Excêntricos


30 de julho de 2008: o jovem Tim McLeam, 22 anos, viajava tranquilamente a bordo de um ônibus, que ia de Edmonton para Winnipeg, Canadá, sua terra natal. Ele ocupava um dos últimos assentos da composição. Tim havia trabalhado o dia todo e descansava encostado em seu acento. Às 18:55hs, o ônibus fez uma parada em Manitoba, onde, entre outros passageiros, um chinês chamado Vince Weiguang Li embarcou.

Tim, a vítima

Nascido em 30 de abril de 1968, Vince mudou-se para o Canadá em junho de 2001. Em novembro de 2006 ele adquiriu cidadania canadense. Ele conseguiu trabalho em uma igreja e mandava remessas de dinheiro para a esposa. Naquele noite, Vince usava um par de óculos escuros e tinha os cabelos raspados. Ele sentou-se em um lugar bem à frente da condução, mas depois de um tempo mudou para a poltrona ao lado de Tim. Tim notou sua presença, mas voltou a encostar a cabeça na janela e dormir. Ele usava fones de ouvidos.

Rapidamente, Vince sacou uma faca e começou a esfaquear Tim no pescoço e no peito. Ele decapitou o rapaz, exibindo sua cabeça para os outros ocupantes do ônibus. O motorista parou o ônibus. Os passageiros desceram desesperados. O motorista e outros dois homens tentaram segurar Li, mas ele os ameaçou com a faca. Depois de ficar sozinho com o corpo de Tim, Vince começou a cortar pedaços da carne de McLean e comê-los.

Às 20:30, a Royal Canadian Mounted Police (RCMP) de Portage la Prairie recebeu o chamado do incidente. Uma equipe de policiais foi até o local, onde conseguiram ver o suspeito dentro do ônibus, sendo impedido de fugir por um passageiro e o motorista, que usavam um pé de cabra e um martelo como arma. Outros passageiros estavam amontoados no acostamento. Alguns choravam e vomitavam de horror. Por volta das 01:30hs, Vince tentou fugir por uma janela quebrada, mas foi preso pelos policiais. Em seus bolsos foram encontrados pedaços de carne de Tim, além de orelhas, nariz e língua. Pedaços do coração do rapaz não foram encontrados. Acredita-se que eles tenham sido comidos por Vince.

Vince Weiguang Li foi a julgamento pelo assassinato de Tim McLeam em 3 de março de 2009. Um psiquiatra diagnosticou Li como "esquizofrênico grave", que acreditava que Tim era uma "entidade do mal que deveria ser destruída". Ele foi considerado inocente de seu ato em razão de insanidade, sendo internado no Centro de Saúde Mental de Selkirk, onde permanece até hoje.

Alguns passageiros denunciaram a empresa de ônibus por terem sido expostos à um assassinato; outros denunciaram Vince. A indenização que o chinês deveria pagar seria de 3 milhões de dólares.

Frase de Vince: "Eu tenho que ficar nesse ônibus pra sempre". Então tá!!! Alguém quer participar dessa viagem gastronômica com ele?

Fotos do evento gastronômico (cenas fortes):
http://sdrv.ms/11Reguz


Fonte: Canibais Superstars.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

JOSÉ AUGUSTO DO AMARAL, o "Preto Amaral"



Nascido em 15 de agosto de 1871, natural de Conquista, Minas Gerais e solteiro. Os pais de José Augusto Amaral, escravos africanos do Congo e de Moçambique, foram comprados pelo Visconde de Ouro Preto. Foi liberto aos 17 anos, com a Lei Áurea.

Amaral foi voluntário da Força Pública do Estado de São Paulo, mas desertou. Era reincidente nesse tipo de atitude, que tomou em todos os corpos militares onde serviu: Brigada Policial do Rio Grande do Sul, Grupo de Artilharia Pesada em Bagé, Regimento de Infantaria de Porto Alegre, 13º Regimento de Cavalaria do Rio de Janeiro. Chegou a se alistar na Marinha, mas abandonou o compromisso logo em seguida.

Em seu registro policial constam várias identificações para fins militares, 3 prisões por vadiagem em SP (1920 e 1921), por vagabundagem em Bauru e Santos (1922) e, nesse mesmo ano, por furto em SP.

O “Código Penal dos Estados Unidos do Brazil”, de 1890, em seu artigo 399, foi muito utilizado para prender negros nessa época – pós-escravatura, pois muitos não conseguiam se empregar “oficialmente” e viviam de pequenos e eventuais trabalhos. Por isso, Preto Amaral constava como pessoa de maus antecedentes, por prática do que se denominava “contravenção”.

Preso em 1927 pelo assassinato de Antônio Lemes, não demorou a confessar os crimes anteriores. De acordo com suas declarações, os atos de pederastia só eram praticados com a certeza da morte da vítima – como se isso atenuasse sua culpa. Suas declarações foram feitas com naturalidade e sem a menor demonstração de emoção, segundo os relatos dos policiais e jornais da época.


Sem hesitar, Amaral guiou os policiais até o Campo de Marte, em um local próximo a um bambual, onde foi encontrada uma ossada humana e, mais adiante, sob a ramagem de uma pequena moita ressequida, jazia o cadáver de outro menino.

Mais tarde, o pai de uma vítima sobrevivente – o menino “Rocco” – procurou a polícia para contar o acontecido com seu filho no ano anterior e o menino reconheceu Preto Amaral como seu agressor.

Outro que compareceu à delegacia foi Antonio Manoel Neves Filho, 16 anos, que quase caiu na armadilha de Amaral: abordado na rua Voluntários da Pátria, seguiu Amaral até a Ponte Grande. Conseguiu fugir, por sorte, quando estava no matagal. Também reconheceu Preto Amaral como seu agressor.

Outra vítima, Manoel Antonio Neves, 13 anos, contou ter sido convidado por um negro de nariz recurvo para acompanhá-lo até a Estação da Cantareira, para ajudá-lo a trazer um embrulho para o Campo de Marte, recebendo mil réis pela ajuda. Depois de alguns minutos, achou que tinha algo errado e resolveu fugir. Também reconheceu Preto Amaral como o homem que o “contratou”.

A polícia não conseguiu comprovar a culpa de Amaral em 5 outros casos de desaparecimentos de crianças ocorridos na época.

Fotos do acervo da perícia

Confirmadas todas as declarações de homicídios de Amaral, que dizia sentir-se mais aliviado com a confissão, não reconheceu ter abordado as vítimas vivas que apareceram na delegacia. Dizia estar sendo atormentado pelos fantasmas das vítimas todas as noites.

Submetido a exames psiquiátricos, os médicos concluíram que se tratava de criminoso sádico, necrófilo e pederasta, sendo a criança seu objeto especial. Acreditam que, se não fosse sua confissão, dificilmente os restos mortais de suas vítimas teriam sido descobertos.

No exame físico, constatou-se que seu órgão genital tinha um tamanho descomunal e, segundo o próprio Amaral, uma “mulher da vida” jamais o atendia 2 vezes. Atribuía esse fato a uma simpatia que fez quando adolescente que, aconselhado por amigos, tinha marcado em uma bananeira o tamanho desejado para seu pênis, com dois traços riscados a faca. Ao perceber que seu pênis desenvolvia sem parar, correu até a bananeira para modificar o traçado mas, como já era tarde – a árvore cresceu demais e a distância do traçado também – derrubou a mesma a machadadas na tentativa de interromper o processo mas, segundo ele, o “encanto” permaneceu.

Tinha as iniciais do nome da mãe, Francisca Claudia, tatuadas em seu braço esquerdo desde os 14 anos. Era analfabeto, inteligente, tocava instrumentos musicais de ouvido e tinha excelente memória. Era ferreiro e cozinheiro. Morou em Minas, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas, Pará, Bolívia, Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul e, por fim, São Paulo.

Alegava ter alucinações depois do primeiro crime, nunca demonstrou arrependimento e não se sabe se matou nos outros locais que morou. Não refletia sobre suas ações; era impulsivo e não percebia nada de anormal em seu comportamento.

Seu diagnóstico médico-psiquiátrico, feito pelo ilustre psiquiatra Antonio Carlos Pacheco e Silva, catedrático de psiquiatria da Faculdade de Medicina de São Paulo, foi o seguinte:

Trata-se, a nosso ver, de um criminoso sádico e necrófilo, cuja perversão se complica de pederose, em que a criança é o objeto especial e exclusivo da disposição patológica. Teria habilidade de praticar seus crimes sem ser descoberto.
Amaral enquadrou-se no grupo dos pervertidos sexuais caracterizados por aqueles que se encontram em permanente estado de hiperestesia sexual, que, sob a influência dessa excitação, que é contínua e mortificadora, são levados ao ato, mais ou menos automaticamente, sem terem a capacidade de refletir e julgar o ato impulsivo.
Os crimes dos sádicos-necrófilos são executados com relativa calma, com prudência, de emboscada, e o criminoso age como se estivesse praticando um ato normal.”


O “Preto Amaral”, “Monstro Negro”, “Papão de Crianças”, “Besta-Fera”, “Espigado” ou “Tucano”, como também foi chamado, foi ficando cada vez mais debilitado enquanto estava na cadeia. Emagreceu, tinha febre constante e dores reumáticas. Foi removido para a enfermaria da Cadeia Pública, onde faleceu de tuberculose pulmonar em 2 de julho de 1927, aos 55 anos, ainda sob prisão preventiva. Nunca chegou a ser julgado.


OS CRIMES

13 de fevereiro de 1926 - “Rocco” (apelido da vítima, usado para proteger sua identidade), 9 anos.

Engraxate, 9 anos, trabalhava nas imediações da praça da Concórdia, próximo ao Teatro Colombo, no Brás.
Um homem alto, negro, aproxima-se e pede ajuda para carregar uma caixa com roupas, serviço pelo qual pagaria 4 mil réis, o que foi aceito de pronto pelo menino.
Rocco seguiu o homem pela avenida Celso Garcia até a ponte sobre o rio Tamanduateí, próximo a Estação Cantareira. Ao entrarem pela rua João Theodoro, “Rocco” sentiu um frio no estômago ao ver-se desprotegido pela pouca luz. De repente, o homem atacou o menino no pescoço, tentando estrangulá-lo, até que Rocco, depois de muito lutar, desmaiou. Julgando-o morto, o estranho arrastou Rocco para debaixo da ponte, rasgou suas roupas e preparou-se para violentá-lo quando um carro se aproximou e estacionou, o que afugentou o homem desconhecido.
Ao acordar, o menino machucado e enlameado, chegou até a rua e, duas moças que passavam viram o menino e chamaram imediatamente a polícia.
Aturdida com a história contada pelo filho, a família não deu queixa à polícia.


05 de dezembro de 1926 – Antonio Sanchez, 27 anos.

Descansando sob as árvores da avenida Tiradentes, Antonio pensava em como faria para comprar a refeição naquele dia. Tinha vindo de Barra Bonita, interior de São Paulo, para trabalhar na capital. Antonio era franzino, doente e um pouco afeminado, aparentando ter menos idade do que seus 27 anos. Morava de aluguel na Lapa, mas não tinha como arcar com as despesas; estava com fome e não tinha conseguido ganhar dinheiro algum.
Abordado por um homem desconhecido, negro e alto, que disse se chamar Preto Amaral. Este lhe deu um cigarro e começaram a conversar sobre as agruras da vida. Amaral chamou o rapaz para almoçar com ele no Botequim do Cunha, que ficava em uma esquina da rua Teodoro Sampaio.
Depois de ver o rapaz almoçar com prazer, Amaral convidou-o para ir com ele até o Campo de Marte para ajudá-lo com um serviço e seria bem pago por isso.
Ao chegarem no Campo de Marte, em um local ermo, Amaral atacou Antonio que, após lutar bastante, foi estrangulado. Ao ver o moço desfalecido, abaixou-se para ouvir seu coração, violentou-o e fugiu em seguida.


Véspera de Natal de 1926 – José Felippe de Carvalho, 12 anos.

Morador do Alto do Pari, às 16h brincava com seu estilingue caçando passarinhos pela redondeza. Mais tarde, pediu permissão à mãe para ir à missa de Natal da Igreja de Santo Antônio, que permitiu de pronto, feliz com a religiosidade do filho.
Chovia neste dia e, enquanto caminhava pelas proximidade do Canindé, José Felippe avistou um homem vendendo balões de gás. Este homem lhe deu um de presente, perguntou onde ele morava e reparou o estilingue que o menino trazia no bolso. Então, comentou que em uma mata perto dali havia um local com muitos passarinhos e que se ele quisesse acompanhá-lo, poderia mostrar o local.
O menino concordou, acompanhou Amaral até o Campo de Marte e, assim como fez com Sanchez, atacou José, cometeu homicídio e, em seguida, violentou-o.
Mais tarde, desesperada, a mãe do menino saiu em busca de José e, como no caso de Sanchez, seu corpo não foi localizado. Só dias depois que José foi identificado pelas roupas, quando a mãe tomou conhecimento através dos jornais de que a polícia havia encontrado cadáveres de meninos sem identificação.


1º de janeiro de 1927 – Antônio Lemes, 15 anos.

Operário em uma fábrica de tecidos, Lemes saiu de casa pedindo à mãe que guardasse seu almoço e que chegaria mais tarde, pois, faria um serviço extra para uma senhora no bairro da Penha.
Enquanto brincava com outros menores nas proximidades do Mercado Central, Amaral avistou Lemes e convidou o garoto para almoçar com ele no Restaurante Meio-Dia. O rapaz aceitou, então, comeram, beberam vinho, e Amaral ofereceu-lhe 2 mil réis para que o acompanhasse até a Penha para fazer um serviço.
Seguiram para o largo do Mercado, tomaram o bonde e, no ponto final da linha, seguiram a pé pela estrada de São Miguel. De vez em quando, paravam em uns bares para Amaral tomar uns tragos.
Na altura do km 39, Amaral pegou um atalho da estrada recém-construída e, quando se afastaram o suficiente, enlaçou fortemente o braço esquerdo de Lemes, esganando-o com a mão direita. Sem resistência, Lemes desmaiou, então, Amaral enrolou um cinto de brim branco, de 85 cm de comprimento no pescoço de Lemes e apertou-o com o máximo de força. Depois, tirou-lhe a calça, rasgou-lhe a camisa e fez sexo com o cadáver. O corpo de Antonio foi encontrado no dia seguinte.

Ao iniciarem as investigações, na área do Mercado, alguém disse tê-lo visto na companhia de um homem negro e investigaram todos os homens com antecedentes de pederastia – pois, Lemes havia sido sodomizado. A testemunha Roque Siqueira viu um adulto pagando algum dinheiro ao garoto e disse à polícia que o sujeito era conhecido nas imediações como um vagabundo que vivia da exploração do jogo de cartas naquela redondeza.
Não demoraram muito a chegar em Preto Amaral.


CONCLUSÃO DO CASO

Em 1926, época dos crimes de Preto Amaral, os grande nomes da criminologia estavam extremamente influenciados pela escola positivista, para a qual “o infrator era um prisioneiro de sua própria patologia (determinismo biológico), ou de processos causais alheios (determinismo social)”. Segundo eles, “o infrator era um escravo de sua carga hereditária: um animal selvagem e perigoso, que tinha uma regressão atávica e que, em muitas oportunidades, havia nascido criminoso”.

Condenado, antes mesmo de ser julgado, nesse contexto preconceituoso, Preto Amaral é conhecido como o “primeiro serial killer do Brasil”.

A discussão sobre a culpabilidade de Amaral nos assassinatos de crianças em SP se dá, de forma ampla, na tese do Dr. Paulo Fernando de Souza Campos – “Os crimes de Preto Amaral: Representações da Degenerescência em São Paulo – 1920”, apresentada à Faculdade de Ciências e Letras (UNESP) em 2003 (link para a tese: http://sdrv.ms/XYaAJX).

De fato, existe coerência entre o histórico e os achados nos exames médicos na época com a possibilidade de José Augusto do Amaral ser um assassino em série:

1. antecedentes de doença mental, deduzidos pela internação de 3 meses no Hospício de Alienados de Porto Alegre, depois de episódio de “ausência mental”;
2. Amaral era solitário e sem endereço fixo, vivia em albergues, praças públicas e pensões;
3. Desertou, por várias vezes, de instituições militares, demonstrando problemas em relação à disciplina;
4. O tamanho e o calibre de seu pênis eram completamente anômalos, o que certamente lhe causou problemas sexuais;
5. Amaral era andarilho, vivia em peregrinação pelo país afora. Residiu em Ouro Preto e Vitória, e consta, no processo-crime, sua passagem pela Bahia, Ceará, Amazonas, Pará, Bolívia, Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul e São Paulo;
6. Tem antecedentes criminais;
7. Levou a polícia até os restos mortais de Antonio Sanchez e José Fellipe de Carvalho;
8. Foi reconhecido na delegacia, por 3 vítimas que alegavam ter sobrevivido ao seu ataque;
9. Os assassinatos se deram no mesmo local e da mesma forma;
10. Os assassinatos pararam depois de sua prisão.

Fonte: Serial Killers, made in Brazil, de Ilana Casoy.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

JOHN GEORGE HAIGH, o "Assassino do Banho de Ácido"



Britânico, Haigh nasceu em 1909 e foi sujeitado por seus pais ao regime severo de Plymouth Brethren, que considerava pecado todas as formas de diversão.

Quando criança, Haigh ganhou uma bolsa do coral para a Escola Primária de Wakefield, fazendo sua participação como um menino do coro nos serviços anglicanos que se realizavam na catedral de Wakefield. O contraste entre aqueles serviços e os rituais insípidos de Plymouth Bretheren confundiram-no, supostamente motivando visões bizarras de florestas com árvores vertendo sangue. O que quer que fosse a fonte real, Haigh mostrou cedo os sinais de hematomania, a obsessão com sangue, que no fim o assombraria durante sua vida.

Casado por um curto período em 1934, Haigh abandonou sua esposa após cumprir sua primeira sentença na cadeia, por fraude, em novembro daquele ano.

Antes do fim da Segunda Guerra Mundial, ele registrou diversas prisões por roubo e fraudes menores, completando sua última condenação de prisão em 1943. Parecendo finalmente “ser correto”, Haigh mudou-se para o respeitável Hotel Onslow Court, em South Kensington e alugou uma sala em um porão próximo para usar no aperfeiçoamento de suas invenções. O laboratório provisório foi estocado com ferramentas, um conjunto para solda e um tonel de 40 galões de ácido sulfúrico.

Em 9 de setembro de 1944, Haigh atraiu um conhecido de longa data, Donald McSwann, para sua oficina no porão, matando sua presa com um martelo, posteriormente, cortando sua garganta para beber seu sangue. Os restos desmembrados foram dissolvidos no tonel de ácido de Haigh, com o sedimento resultante depois colocado em um bueiro. Tomando o controle do fliperama próximo de McSwann, Haigh disse aos pais do homem morto que seu filho estava escondido na Escócia para evitar o recrutamento militar. Uma vez por semana ele ia à Escócia, enviando pelo correio cartas falsificadas para um casal ansioso, mas suas suspeitas cresceram com o tempo, à medida que o jogo compulsivo de Haigh devorava a renda roubada.


Em 10 de julho de 1945, Haigh convidou os pais de McSwann a seu laboratório, espancando e matando os dois, e dissolvendo seus restos em ácido. Os documentos falsificados habilitaram-no a usurpar seu patrimônio, incluindo cinco casas e uma pequena fortuna em títulos, mas o jogo, investimentos fracos e um estilo de vida dissipador deixaram-no sem dinheiro novamente em fevereiro de 1948.

Sra. McSwan

As vítimas seguintes de Haigh foram Archie e Rosalie Henderson, ao visitarem sua nova oficina em Crawley, no sul de Londres. Lá foram assassinados e colocados no banho de ácido, em 12 de fevereiro. Haigh depois disse à polícia que tirou amostras de sangue deles, mas foi racional o suficiente para executar a falsificação que daria um lucro líquido de 12 mil dólares ao patrimônio do casal morto.


Um ano depois, em fevereiro de 1949, Olívia Durand-Dacon, de 69 anos, abordou o “inventor” Haigh com seu esquema para comercializar unhas artificiais. Convidada para o laboratório de Crawley, ela recebeu um tiro. Haigh supostamente cortou sua garganta e bebeu um copo de sangue, antes de enviá-la ao tonel de ácido. Demorou uma semana para finalmente dispor de seus restos, e Haigh tinha pouco a mostrar de seu esforço, vendendo suas joias por 250 dólares para cobrir alguns débitos pendentes.

Olívia Duran-Dacon









Materiais usados por Haigh
Ao responder a um relatório de pessoas desaparecidas, a polícia tinha dúvidas sobre as respostas superficiais de Haigh e sua atitude muito útil, e os mandados de busca foram obtidos para entrar em sua oficina do porão. Os investigadores retiraram quase 13 quilos de gordura humana do banho de ácido, juntamente com fragmentos de ossos, dentes, cálculos biliares e uma bolsa pertencente à Sra. Durand-Deacon.









Dia do julgamento de Haigh

Em custódia, Haigh confessou tudo, fazendo o ângulo de vampirismo em sua proposta de defesa por insanidade. Ele confessou mais dois assassinatos – das vítimas Mary e Max – cometidos unicamente na perseguição de sangue fresco, mas algumas autoridades dispensaram a totalidade da história como um artifício teatral. Observou-se Haigh bebendo a própria urina na prisão.

O julgamento de Haigh começou em 18 de julho de 1949, com os psiquiatras da defesa o chamando de paranoico e descrevendo seus atos de vampirismo como “quase certos”. Os jurados, não impressionados, consideraram-no culpado e apto, e o tribunal impôs uma sentença de morte. Haigh foi enforcado na prisão de Wandsworth, em 6 de agosto de 1949.

Carta de Haigh para sua namorada, Barbara Stephens



Fonte: Enciclopédia de Serial Killers, de Michael Newton.
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